A professora da Escola Estadual “Jardim Araguaia”, de Barra do Garças, Rose-Meire
Dias Santos, é um exemplo positivo de como se enfrentar a discriminação racial. Este ano ela foi uma das finalistas do Prêmio Nacional Vivaleitura (ficou em terceiro lugar em sua categoria). Seu projeto, além de incentivar a leitura, aborda a cultura africana, por meio de contos, lendas, mitos e poemas.

Seu projeto foi inspirado nas experiências vivenciadas na infância. Ela nasceu em Minas Gerais, mas foi criada em algumas cidades do interior de São Paulo. Na cidade de Santa Izabel, na antiga primeira série, viveu a primeira destas experiências. “No primeiro dia de aula, numa brincadeira com os colegas, um menino branco de olhos claros, loiro, olhou para a cor da minha pele, soltou as mãos como se estivesse com medo de mim”.
Mais tarde, uma outra experiência envolvendo o cabelo da professora também deixou marcas, mas segundo ela, que serviram “para combater com mais firmeza o preconceito”.
Já formada, Rose-Meire ingressou no ensino público e foi trabalhar em Canarana. Ao
chegar, viu surpresa que era a única com cabelo rastafari na cidade e já carregava o orgulho de dizer que era negra. Só que as crianças lhe diziam: “Como pode uma pessoa gostar de ser negra?”.

Rose-Meire esclarece que Canarana é uma cidade colonizada por sulistas (gaúchos) e na escola havia duas realidades: uma, no período matutino (maioria sulistas) e a outra no período vespertino (a mistura: cor). “logo fui colocando a mão na massa! Com o apoio do Cordeiro, maestro da cidade, montamos uma banda (60 alunos) com materiais recicláveis, chamada ‘Sem Preconceito’ e chamamos a atenção de toda cidade para o assunto. A banda fez sucesso e, hoje, muitos jovens fazem parte da banda municipal de Canarana”.
Projeto destaca leitoras muito especiais
A professora Rose-Meire, da Escola Estadual “Jardim Araguaia”, concorreu ao Prêmio Nacional Vivaleitura com o projeto “Biblioteca Ambulante: A Cor da Cultura Formando Leitores e Jovens Griots”. (Griots: significa contadores de histórias – é um nome africano). Ela revela que seu projeto não teve avaliação melhor na promoção por conta de se concentrar apenas na oralidade.
Para a divulgação nacional do projeto, caso fosse a vencedora, ela mandou fotos de todos os alunos. Dentre estes, também de duas de suas “griots” consideradas muito especiais. Letícia e Flávia. Flávia não está mais na EE “Jardim Primavera”, mas quando as duas estão juntas, Rose-Meire afirma que são suas melhores contadoras de histórias. ”Ambas são muito vaidosas e emocionam qualquer ser humano quando estão em ação”.
Flávia ficou paralítica depois de um acidente. Letícia, aos dois anos de idade, foi acometida de uma doença rara: a esclerodermia. Esta tem origem desconhecida e ainda não tem tratamento. É caracteriza pelo endurecimento da pele, mas pode também atingir órgãos internos.
SERGIO LUIZ FERNANDES
Assessoria/Seduc-MT
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